Tarcísio de Freitas, aliado de Bolsonaro, se posiciona a favor da reforma tributária de Lula

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, manifestou apoio à proposta de reforma tributária enviada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional. A posição, anunciada em entrevista coletiva no início de abril, gerou repercussão no meio político por representar uma abertura de diálogo entre a oposição e o governo federal em um tema estratégico para a economia.

Em suas declarações, Tarcísio destacou que a simplificação do sistema tributário brasileiro é uma demanda antiga do setor produtivo e que, independentemente de divergências partidárias, é necessário avançar em pautas que beneficiem o desenvolvimento do país. "Não podemos deixar que questões ideológicas impeçam a aprovação de uma reforma que pode simplificar impostos, gerar empregos e aumentar a competitividade do Brasil", afirmou o governador.

A reforma tributária proposta pelo governo Lula unifica tributos federais (IPI, PIS, Cofins) com o ICMS estadual e o ISS municipal em um Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), nos moldes do IVA dual. O texto também prevê mecanismos de transição e fundos de compensação para Estados e municípios. Tarcísio, que foi ministro da Infraestrutura no governo Bolsonaro, sinalizou que o texto atual tem pontos positivos, mas que algumas questões, como a distribuição de recursos entre os entes federativos, precisam ser ajustadas.

A adesão de Tarcísio à reforma tributária de Lula foi vista como um movimento de independência política em relação ao bolsonarismo, que até então se opunha frontalmente às pautas do governo petista. Analistas avaliam que a postura do governador de São Paulo pode influenciar outros líderes da oposição a apoiarem a reforma, aumentando as chances de aprovação no Congresso.

Entretanto, a base bolsonarista reagiu com críticas. O ex-presidente Jair Bolsonaro não se manifestou diretamente, mas aliados próximos consideraram a posição de Tarcísio como um "desalinhamento". Apesar disso, o governador paulista mantém a aliança com o bolsonarismo em outras pautas e defende que a reforma tributária pode ser aprimorada com o debate democrático.

O tema da reforma tributária deve continuar em discussão na Câmara dos Deputados e no Senado ao longo de 2023. A expectativa é que, com o apoio de parte da oposição, o texto-base seja aprovado ainda no primeiro semestre. Para Tarcísio, a aprovação representaria um ganho para o estado de São Paulo, que concentra grande parte da arrecadação nacional.

Em suma, a posição de Tarcísio de Freitas a favor da reforma tributária de Lula demonstra que, em temas econômicos estratégicos, é possível construir pontes entre campo e situação, mesmo em um cenário político polarizado.