Barroso intervém no CNJ em defesa de juízes da Lava Jato e critica Salomão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, compareceu a uma sessão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na última semana para defender os juízes que atuaram na Operação Lava Jato e criticar o corregedor nacional de justiça, ministro Luis Felipe Salomão. A manifestação ocorre em meio a investigações disciplinares contra magistrados que conduziram processos sensíveis.

Em seu discurso, Barroso destacou a importância da independência judicial e afirmou que o CNJ não deve ser usado como instrumento de perseguição. “Não podemos admitir que juízes sejam punidos por aplicar a lei”, disse, referindo-se aos processos contra ex-juízes da Lava Jato. Ele pediu moderação e respeito às garantias constitucionais.

Barroso criticou diretamente Salomão, que comanda as investigações do CNJ contra magistrados. Para o ministro do STF, as ações do corregedor criam um ambiente de intimidação que ameaça a liberdade de julgamento. “O CNJ não pode se tornar um palco de retaliações”, declarou.

A fala de Barroso gerou reações divididas entre os conselheiros. Apoiadores da Lava Jato elogiaram a posição do ministro, enquanto outros membros do CNJ defenderam a atuação de Salomão, argumentando que o órgão tem o dever de investigar desvios éticos. O episódio expõe as tensões no Judiciário brasileiro sobre o legado da operação.

A Operação Lava Jato, deflagrada em 2014, revelou um enorme esquema de corrupção envolvendo empreiteiras, políticos e estatais. Desde então, seus métodos e a atuação dos juízes envolvidos se tornaram alvo de controvérsias. Barroso sempre se posicionou em defesa dos magistrados, defendendo que agiram dentro da lei.

O caso continua sob análise do CNJ, e novos desdobramentos são esperados nas próximas sessões. A intervenção de Barroso reforça o debate sobre os limites da atuação disciplinar do Conselho e a independência judicial.