Em entrevista, Jusmari Oliveira faz duras críticas ao endividamento de Barreiras sob a gestão de Zito Barbosa

O cenário político de Barreiras, um dos principais centros urbanos e econômicos do oeste baiano, aqueceu-se nos últimos dias com as declarações da deputada estadual e ex-prefeita Jusmari Oliveira (PSD). Em uma entrevista concedida a um veículo de comunicação local, a parlamentar não poupou críticas à administração do prefeito Zito Barbosa (União Brasil), apontando um preocupante crescimento da dívida pública municipal durante os anos de sua gestão. O tema, que envolve diretamente a capacidade de investimento e a prestação de serviços essenciais à população, promete ser um dos principais pontos de debate na corrida eleitoral de 2024.

Jusmari Oliveira, que governou a cidade por dois mandatos consecutivos, construiu sua reputação política em torno de uma gestão marcada por obras estruturantes e pela expansão de programas sociais. Sua saída da prefeitura em 2016 deixou uma expectativa alta em relação ao su sucessor. Agora, na tribuna da Assembleia Legislativa e em entrevistas, ela tem utilizado seu capital político para questionar os rumos da economia local.

As críticas pontuais

Em suas declarações, Jusmari Oliveira destacou que o endividamento de Barreiras atingiu níveis que comprometem a saúde financeira do município. A ex-prefeita afirmou que a gestão atual teria aumentado significativamente os gastos com a folha de pagamento e contraído dívidas sem a devida contrapartida em investimentos. "Não é possível que uma cidade com o potencial de Barreiras esteja passando por esse sufoco financeiro. É preciso responsabilidade e transparência com o dinheiro público", teria afirmado a deputada.

Entre os pontos mais criticados, estariam:

  • O crescimento do endividamento de curto prazo, que impacta o pagamento de fornecedores e serviços terceirizados.
  • A falta de uma política clara de renegociação de dívidas previdenciárias e precatórios.
  • Uma percepção de inchaço da máquina pública, com aumento de cargos comissionados.
  • A ausência de um plano de governo sólido para a retomada do crescimento econômico pós-pandemia.

A defesa da gestão Zito Barbosa

A administração de Zito Barbosa, por sua vez, rebate as acusações destacando o contexto macroeconômico adverso. A gestão argumenta que a queda nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), a inflação elevada e os reflexos da pandemia de Covid-19 impactaram drasticamente as contas de todos os municípios brasileiros.

A prefeitura também costuma listar as obras realizadas e os investimentos em saúde e educação como marcos de sua gestão. No entanto, a oposição sustenta que as contas públicas não fecham e que a cidade perdeu capacidade de investimento em infraestrutura e em programas sociais. O debate sobre a transparência fiscal promete se intensificar com a aproximação das eleições.

Cenário eleitoral e impacto político

Em ano eleitoral, o embate sobre o endividamento ganha contornos de campanha. Jusmari Oliveira surge como um dos principais nomes da oposição para a sucessão municipal, carregando o discurso de que é preciso "recuperar a capacidade de investimento e o protagonismo de Barreiras".

Zito Barbosa, que busca a reeleição, precisa defender seu legado e mostrar à população que, apesar das dificuldades, o município está no caminho certo. O equilíbrio entre a entrega de obras e a realidade fiscal será o grande desafio de sua campanha.

Analistas políticos apontam que a crise fiscal pode ser o fator decisivo para o eleitor indeciso. Barreiras, com seu forte eleitorado e sua importância econômica para a Bahia, se consolida como um dos principais palcos da disputa política no interior do estado em 2024.

Lições para a gestão municipal

O caso de Barreiras reflete um dilema enfrentado por diversas cidades brasileiras: como equilibrar a prestação de serviços públicos de qualidade com a responsabilidade fiscal? A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabelece limites claros para gastos com pessoal e endividamento, mas a execução orçamentária depende de planejamento estratégico e de uma gestão eficiente.

Especialistas em contas públicas recomendam o controle rígido das despesas correntes, a busca por fontes alternativas de receita e a renegociação de dívidas como caminhos para evitar o colapso fiscal. A transparência na gestão é outro ponto crucial para que o cidadão possa cobrar seus representantes de forma consciente.

FAQ: Entenda o cenário político e fiscal de Barreiras

Quem é Jusmari Oliveira?
Jusmari Oliveira é uma política baiana, filiada ao PSD, ex-prefeita de Barreiras por dois mandatos (2009-2016) e atualmente deputada estadual. É uma das principais lideranças políticas da região oeste da Bahia.

Quem é Zito Barbosa?
Zito Barbosa (União Brasil) é o atual prefeito de Barreiras. Sua gestão é alvo de críticas da oposição, que aponta um alto endividamento e falta de investimentos.

O que significa o endividamento para a cidade?
Um alto endividamento pode limitar a capacidade do município de investir em saúde, educação e infraestrutura, além de comprometer o pagamento de fornecedores e a obtenção de novos créditos junto à União.

O que diz a Lei de Responsabilidade Fiscal?
A LRF estabelece normas de finanças públicas para uma gestão fiscal responsável, limitando gastos com pessoal e endividamento, e exigindo transparência na execução orçamentária.

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