Zito Barbosa tenta desqualificar economista e ignora alerta do Ministério Público ao falar sobre elevadas dívidas de Barreiras

O prefeito de Barreiras, Zito Barbosa, voltou a gerar polêmica ao tentar desqualificar as projeções de um economista que apontam para o crescimento acelerado da dívida pública do município. Em declarações recentes, Barbosa ignorou os alertas do Ministério Público (MP), que já havia recomendado contenção de gastos e maior transparência fiscal.

Barreiras, principal cidade do oeste baiano, enfrenta há anos desafios na gestão das contas públicas. Relatórios técnicos indicam que a dívida consolidada do município ultrapassou os limites prudenciais estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), gerando preocupação entre especialistas e órgãos de controle.

O economista, cujo nome não foi divulgado oficialmente, apresentou um estudo detalhado mostrando que, se mantido o ritmo atual de despesas sem crescimento equivalente da receita, a dívida pode se tornar insustentável a médio prazo. O documento sugere medidas de ajuste fiscal, como revisão de contratos e renegociação de dívidas com fornecedores.

“O município precisa urgentemente de um plano de recuperação fiscal. Ignorar os números é colocar em risco a capacidade de investir em saúde, educação e infraestrutura”, afirmou o economista durante apresentação do relatório.

O Ministério Público do Estado da Bahia já havia encaminhado ofícios à prefeitura alertando para a situação e solicitando providências. Em um dos documentos, o MP destaca que a falta de medidas concretas pode configurar improbidade administrativa. No entanto, Zito Barbosa minimizou as recomendações, classificando-as como “exageradas” e “sem fundamento”.

Durante uma entrevista coletiva, o prefeito afirmou que as projeções são “tendenciosas” e que sua gestão tem trabalhado para equilibrar as contas. “Não vamos aceitar que nos acusem de irresponsabilidade. Estamos fazendo nossa parte, cortando gastos e buscando novas receitas”, declarou, sem apresentar dados concretos que contradigam o estudo.

A atitude de Barbosa gerou reações na Câmara Municipal. Vereadores de oposição pediram a convocação de uma audiência pública para discutir o tema, enquanto aliados defendem a transparência da administração. A população de Barreiras, que já sente os reflexos da crise financeira em serviços públicos, acompanha com apreensão.

Especialistas em gestão pública consultados pela reportagem reforçam que o caminho mais seguro é o diálogo com o MP e a implementação de ajustes fiscais com responsabilidade social. A recusa em reconhecer o problema, alertam, pode agravar ainda mais a situação e comprometer o futuro do município.