Política

Vereadores ligados a Zito e Otoniel rejeitam emendas; oposição denuncia “escárnio” na votação do orçamento

Em sessão ordinária da Câmara Municipal na última terça-feira (15), os vereadores alinhados ao prefeito Zito e ao vice-prefeito Otoniel rejeitaram, por ampla maioria, as emendas apresentadas pela bancada de oposição ao projeto de lei orçamentária anual. A votação encerrou com discursos inflamados e troca de acusações. A oposição classificou o resultado como “um escárnio contra a democracia” e já articula medidas judiciais.

Cenário da votação

O projeto orçamentário, enviado pelo Executivo no início do mês, estabelece as prioridades de gastos para o próximo exercício. A base governista defende que a proposta mantém o equilíbrio fiscal e atende às necessidades mais urgentes da população. Já a oposição sustenta que o texto original ignora demandas históricas de bairros periféricos e setores como educação e saúde básica.

Foram apresentadas diversas emendas com o objetivo de realocar recursos para áreas como pavimentação, construção de creches e ampliação do programa de saúde da família. As emendas foram analisadas pela Comissão de Orçamento, que emitiu parecer contrário à maioria delas, parecer esse referendado pela base aliada durante a votação em plenário.

Posição da base governista

O líder do governo na Câmara defendeu a rejeição afirmando que as emendas comprometeriam o planejamento financeiro do município. Segundo ele, “a responsabilidade fiscal exige que mantenhamos o orçamento dentro das receitas previstas; embora as emendas tenham mérito, não há espaço sem comprometer o equilíbrio”. A base aliada votou em bloco contra as alterações.

Reação da oposição

A oposição, por sua vez, denunciou a manobra como autoritária. “Rejeitar todas as emendas sem discussão aprofundada é um desrespeito ao parlamento e à população”, afirmou o líder oposicionista durante a sessão. A bancada prometeu ingressar com representação no Ministério Público Estadual por improbidade administrativa e também estuda recorrer ao Tribunal de Justiça.

Para os vereadores oposicionistas, a rejeição sumária das emendas viola o princípio da separação dos poderes e prejudica o atendimento a comunidades carentes. O termo “escárnio” foi repetido por diversos parlamentares durante os discursos na tribuna.

Próximos passos

O projeto orçamentário segue agora para sanção do prefeito Zito. A oposição, no entanto, não descarta buscar na Justiça a suspensão da votação, sob o argumento de que o rito não respeitou o regimento interno da Câmara. Nos bastidores, articula-se ainda a criação de uma comissão especial para investigar possíveis irregularidades na elaboração do orçamento.

Impacto político

O episódio acirra ainda mais a polarização na Câmara Municipal, em um cenário de preparação para as próximas eleições municipais. A base de Zito e Otoniel busca demonstrar força e governabilidade, enquanto a oposição tenta capitalizar o desgaste político em torno da votação.

O caso reacende o debate sobre o papel do Legislativo municipal na fiscalização do Executivo, tema recorrente na política brasileira. A população acompanha com expectativa os desdobramentos, que podem repercutir nas urnas em 2026.