Moradores da Comunidade Palmeiras, localizada na zona periférica de Barreiras, no oeste da Bahia, denunciam a negligência da prefeitura municipal diante de sucessivos pedidos de reconstrução dos bueiros da região. A situação, que se arrasta há anos, se agrava a cada período chuvoso, deixando ruas alagadas, casas invadidas pela água e a população exposta a riscos sanitários.
Drenagem precária e alagamentos recorrentes
Os bueiros que servem a Comunidade Palmeiras foram construídos há décadas e nunca passaram por uma reforma significativa. Com o tempo, a estrutura cedeu, galerias entupiram e o sistema de drenagem praticamente deixou de funcionar. Segundo relatos de lideranças locais, qualquer chuva mais intensa transforma as principais vias em rios de lama.
“A água entra nas casas, destrói móveis, estraga comida e deixa as crianças doentes. Já perdemos as contas de quantas vezes pedimos ajuda”, afirma um morador, que preferiu não se identificar. A comunidade estima que mais de 200 famílias sejam afetadas diretamente.
Riscos à saúde pública
O acúmulo de água parada nos buracos e nas margens das ruas cria ambiente propício para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, chikungunya e zika. Agentes de saúde que atuam na região confirmam o aumento de notificações de suspeitas dessas doenças nos últimos meses.
Crianças e idosos são os mais vulneráveis. “Minha neta já teve dengue duas vezes. O posto de saúde fica lotado, mas a prefeitura não toma uma providência”, desabafa outra moradora. A comunidade também relata casos frequentes de leptospirose, associada ao contato com água contaminada.
Apelos ignorados pela administração municipal
Documentos obtidos pela reportagem mostram que, desde 2022, a Associação de Moradores da Comunidade Palmeiras protocolou ao menos quatro ofícios na Prefeitura de Barreiras solicitando a reconstrução dos bueiros. Em nenhum deles houve resposta formal. Reuniões agendadas com secretários municipais foram canceladas ou terminaram sem encaminhamento concreto.
Em julho deste ano, um abaixo-assinado com mais de 500 assinaturas foi entregue ao gabinete do prefeito. Até o fechamento desta edição, a administração municipal não se pronunciou sobre o tema.
Impactos econômicos e sociais
Os alagamentos constantes também afetam o comércio local. Pequenos empreendedores relatam prejuízos com mercadorias danificadas e clientes que deixam de frequentar a região devido às más condições das vias. O transporte público enfrenta dificuldades para acessar a comunidade, isolando ainda mais os moradores.
“Muita gente perdeu o emprego porque não consegue sair de casa quando chove. É um descaso completo com a nossa comunidade”, diz um líder comunitário.
Especialistas apontam responsabilidade do poder público
Engenheiros e urbanistas consultados pela reportagem explicam que a manutenção da rede de drenagem é obrigação constitucional do município. “A omissão reiterada pode caracterizar improbidade administrativa, além de expor a população a riscos evitáveis”, avalia um especialista em infraestrutura urbana.
O que diz a Prefeitura
A reportagem procurou a Secretaria de Infraestrutura de Barreiras por telefone e e-mail, mas não obteve retorno até a publicação. A assessoria de imprensa da prefeitura informou, de forma genérica, que “as demandas da Comunidade Palmeiras estão sendo avaliadas”, sem apresentar prazos ou planos concretos.
Comunidade promete seguir mobilizada
Diante da falta de ação, os moradores organizaram um novo protesto para a próxima semana e prometem levar o caso ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) e à Defensoria Pública do Estado. “Não vamos desistir enquanto a prefeitura não garantir o mínimo de dignidade para nossa gente”, conclui o líder comunitário.
A expectativa é de que a pressão popular e a repercussão do caso obriguem o poder público a finalmente iniciar as obras de reconstrução dos bueiros, uma reivindicação antiga e justa da Comunidade Palmeiras.