O jurista Walter Maierovitch, ex-juiz e advogado criminalista, afirmou que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro é indispensável para garantir que a justiça seja feita e para interromper o que chamou de "continuidade do golpismo" no Brasil. Em declaração recente, Maierovitch avaliou que as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado, que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023, precisam avançar com medidas mais duras contra os responsáveis.
Para o jurista, a demora na responsabilização dos envolvidos alimenta a sensação de impunidade e encoraja novos atos contra a democracia. "Enquanto não houver punição exemplar, o golpismo continuará encontrando espaço", disse. Maierovitch defendeu que a prisão preventiva de Bolsonaro poderia ser um passo necessário para evitar que ele continue a influenciar movimentos radicais.
Maierovitch também fez críticas à atuação de setores das Forças Armadas, que segundo ele, ainda abrigam militares simpatizantes do projeto golpista. Ele sugeriu que uma investigação aprofundada sobre a cadeia de comando é fundamental para restaurar a confiança nas instituições. A opinião do jurista soma-se a de outros especialistas que veem a prisão do ex-presidente como um ato de afirmação do Estado de Direito.
O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República já apresentou denúncias contra Bolsonaro e aliados por associação criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A declaração de Maierovitch reforça o debate sobre a necessidade de medidas mais enérgicas.
A sociedade civil, segundo Maierovitch, deve permanecer atenta. "O golpismo se reinventa, busca novas narrativas. A prisão de Bolsonaro teria um efeito pedagógico e dissuasório", concluiu. O jurista defende que o Brasil precisa passar por um processo de justiça de transição para superar o legado autoritário que ainda persiste em setores da política e da segurança.