Trump ameaça taxar Brics em 100% se bloco desafiar o dólar com moeda própria

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar os países do Brics com sanções econômicas severas caso o bloco siga adiante com a criação de uma moeda alternativa ao dólar. Em um comício no estado de Iowa, Trump afirmou que, se reeleito, imporia tarifas de 100% sobre todos os produtos importados das nações que apoiarem a iniciativa para desafiar a hegemonia do dólar como moeda de reserva global.

"Se o Brics quiser brincar de moeda, eles vão pagar um preço muito alto. Não vamos permitir que ninguém substitua o dólar. Quem apoiar essa ideia não venderá nada para os Estados Unidos", declarou o pré-candidato republicano, gerando reações imediatas nos mercados internacionais.

A declaração ocorre em meio a discussões dentro do bloco — formado atualmente por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, além de novos membros como Irã, Egito, Etiópia e Arábia Saudita — sobre a redução da dependência do dólar nas transações comerciais. A ideia de uma moeda comum do Brics ganhou força especialmente após as sanções ocidentais contra a Rússia, que aceleraram os debates sobre alternativas ao sistema SWIFT e ao domínio financeiro dos EUA.

O impacto da ameaça de Trump

Embora a criação de uma moeda única do Brics seja um desafio técnico e político imenso — dadas as divergências econômicas e geopolíticas entre seus membros —, a simples ameaça de romper com a hegemonia do dólar tem gerado repercussões. Uma eventual tarifa de 100% representaria um choque no comércio global sem precedentes.

Setores como o agronegócio brasileiro (soja, carne, minério de ferro), a indústria de tecnologia chinesa e as exportações de petróleo do Oriente Médio seriam fortemente impactados. Por outro lado, os consumidores americanos enfrentariam uma inflação imediata, já que muitos produtos importados do bloco não têm substitutos domésticos em escala.

A declaração também coloca o Brasil em uma posição delicada. Como maior economia da América Latina e membro fundador do Brics, o país precisa equilibrar sua aliança no bloco com a histórica relação comercial com os Estados Unidos. O governo Lula, que já criticou o que chama de "dólar forte", deve evitar uma escalada retórica com Washington, enquanto defende os interesses do Sul Global nas próximas reuniões de chanceleres do grupo.

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