STF julga Carla Zambelli por porte ilegal de arma e constrangimento

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. A ação penal tem origem em um episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, na cidade de São Paulo.

O Incidente

No dia 29 de outubro de 2022, uma confusão envolvendo a parlamentar e um homem foi registrada em um restaurante no bairro de Jardim América, na zona oeste de São Paulo. Imagens de câmeras de segurança flagraram o momento em que Zambelli sacou uma pistola e passou a perseguir o homem pelas ruas do bairro. A deputada afirmou que agiu em legítima defesa após ter sido agredida e ameaçada, mas a conduta gerou grande repercussão nacional e foi alvo de investigação da Polícia Federal.

As Acusações da PGR

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Zambelli por dois crimes. O primeiro é o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. Embora a deputada possuísse registro de arma, a PGR argumentou que ela não tinha autorização legal para portar o armamento de forma ostensiva e em via pública naquela ocasião. O segundo crime é o de constrangimento ilegal, tipificado no Código Penal, por ter coagido a vítima com o uso da arma em via pública. A defesa da parlamentar sustenta a tese de legítima defesa e nega a prática dos delitos.

O Julgamento na Primeira Turma

Devido ao foro privilegiado da parlamentar, o caso passou a ser analisado pela Primeira Turma do Supremo. O relator, ministro Gilmar Mendes, apresentou seu voto pela condenação de Carla Zambelli, entendendo que ela não agiu sob o amparo da legítima defesa e que a conduta configurou crime. O voto de Gilmar Mendes foi acompanhado pelo ministro Alexandre de Moraes. No entanto, o julgamento foi suspenso após um pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques.

A decisão do relator aponta que Zambelli extrapolou os limites da reação e colocou em risco a incolumidade pública, configurando o crime de porte ilegal de arma, já que o registro não autoriza o uso em situações de conflito pessoal em via pública. O placar parcial, favorável à condenação, estabelece um precedente importante sobre a responsabilidade penal de detentores de licença de arma.

Próximos Passos

Com o pedido de vista de Kassio Nunes Marques, o julgamento deve ser retomado em uma próxima sessão da Primeira Turma, ainda sem data definida. O caso segue gerando amplo debate político e jurídico sobre os limites do direito à legítima defesa e o porte de armas no Brasil. A conclusão do julgamento determinará se Zambelli será condenada e qual a pena a ser aplicada.

O Repórter Brasil continuará acompanhando de perto o desenrolar deste julgamento e seus desdobramentos para a política nacional e para o sistema de justiça.