O ex-presidente Jair Bolsonaro convocou apoiadores para um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, com o objetivo de pressionar pela aprovação de uma anistia para os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. A mobilização terá como foco o público feminino, com discursos voltados para pautas conservadoras e familiares.
A manifestação deve reunir lideranças políticas e aliados de Bolsonaro. A escolha do público feminino como alvo da mobilização não é casual: o ex-presidente busca fortalecer sua base entre as mulheres, um segmento que historicamente mostrou menor apoio ao ex-mandatário. A estratégia inclui a participação de deputadas e influenciadoras conservadoras, além de discursos sobre valores cristãos e família.
A anistia aos golpistas é uma das bandeiras mais caras ao bolsonarismo desde o início de 2023. O ato na Paulista serve também como um teste de capacidade de mobilização do ex-presidente, que enfrenta diversas investigações judiciais no STF e no TSE. Para os organizadores, a presença maciça de mulheres pode ajudar a desassociar a imagem do movimento da violência vista nos ataques de janeiro.
Embora o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal sejam contra a anistia, a oposição articula no Congresso uma proposta que beneficie os condenados. A mobilização na Paulista é vista como uma forma de pressão popular e de manutenção da base bolsonarista.
A convocação tem sido feita por meio de redes sociais e grupos de WhatsApp. A expectativa dos organizadores é de que milhares de pessoas compareçam, embora números oficiais não sejam divulgados. A Avenida Paulista, palco histórico de manifestações políticas, reforça o caráter nacional do evento.
A mobilização mirada no público feminino também reflete a tentativa de ampliar o alcance do discurso bolsonarista entre as mulheres, que nas últimas eleições tenderam a votar em candidatos de centro-direita, mas sem adesão total aos extremismos. Com uma abordagem que mescla religião, segurança e crítica ao governo Lula, os organizadores esperam atrair tanto as bases fiéis quanto eleitores indecisos.
No campo jurídico, a anistia é vista como inconstitucional por juristas ouvidos pela imprensa, mas o tema segue sendo explorado politicamente. O ato na Paulista deve testar a força de Bolsonaro para ditar a agenda política do país e manter a mobilização de seus apoiadores.