O ministro da Saúde lançou oficialmente nesta sexta-feira, 11 de abril, a campanha nacional de vacinação nas escolas, com a meta de vacinar 90% dos estudantes brasileiros com menos de 15 anos. "Vamos ser campeões da vacinação de novo", declarou o ministro durante cerimônia em Brasília, ao lado de representantes do Ministério da Educação e de secretários estaduais de saúde.
A iniciativa, batizada "Saúde na Escola", é fruto de uma parceria entre as pastas da Saúde e da Educação e pretende levar as vacinas do calendário básico de imunização diretamente às instituições de ensino públicas e privadas de todo o país. O objetivo é facilitar o acesso, reduzir a evasão às unidades de saúde e recuperar as altas coberturas vacinais que o Brasil ostentou no passado.
O Brasil vive há quase uma década uma trajetória de queda nos índices de vacinação. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2023, a cobertura da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) ficou abaixo de 80%, longe da meta de 95% recomendada pela Organização Mundial da Saúde. A campanha nas escolas surge como estratégia prioritária para reverter esse quadro.
O que é a campanha "Saúde na Escola"
A campanha "Saúde na Escola" consiste na oferta de vacinas no ambiente escolar, eliminando deslocamentos e filas nos postos de saúde. As doses serão aplicadas por equipes volantes treinadas, compostas por enfermeiros e técnicos de enfermagem, dentro das próprias escolas ou em unidades de saúde parceiras próximas. O programa também prevê ações educativas sobre a importância da imunização e a checagem da caderneta vacinal dos alunos.
A parceria entre Saúde e Educação pretende integrar a vacinação ao calendário escolar, transformando a escola em um ponto fixo de saúde preventiva. A cada semestre, uma nova etapa de vacinação poderá ser organizada, conforme as faixas etárias e as vacinas indicadas.
Público-alvo
O foco principal são crianças e adolescentes com idade até 15 anos, prioritariamente os matriculados na educação básica (creche, pré-escola, ensino fundamental e ensino médio). Bebês e crianças pequenas que frequentam creches públicas ou conveniadas também serão incluídos. A vacinação é voluntária e depende da autorização expressa dos pais ou responsáveis, que deverão assinar um termo de consentimento.
A meta do governo é atingir ao menos 90% do público elegível em cada escola, cobrindo também os estudantes que estejam com o calendário vacinal atrasado. A estimativa do Ministério da Saúde é que cerca de 38 milhões de alunos estejam aptos a receber alguma dose durante a campanha.
Vacinas oferecidas
As escolas receberão as vacinas previstas no Programa Nacional de Imunizações (PNI) de acordo com a faixa etária dos alunos. Entre as vacinas disponíveis estão:
- BCG – contra formas graves de tuberculose (para crianças até 5 anos);
- Hepatite B – desde o nascimento;
- VIP/VOP – poliomielite injetável e oral;
- Pentavalente – difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Hib;
- Pneumocócica 10-valente – contra pneumonia, meningite e otite;
- Meningocócica C – meningite;
- Tríplice viral – sarampo, caxumba e rubéola;
- HPV – contra câncer de colo do útero e verrugas genitais (para meninas e meninos de 9 a 14 anos);
- DTP – difteria, tétano e coqueluche (reforço);
- Febre amarela – para regiões endêmicas;
- dT – dupla adulto (para adolescentes).
A oferta pode variar conforme o calendário municipal e a situação epidemiológica local. As escolas divulgarão previamente a lista de vacinas disponíveis.
Cronograma e logística
A campanha foi lançada em 11 de abril de 2025 e se estenderá por todo o ano letivo. Cada município definirá seu próprio cronograma, com a participação das secretarias municipais de saúde e educação. O modelo mais comum prevê um "Dia D" de vacinação nas escolas, com a presença de equipes volantes. Em outras localidades, os alunos serão levados em horário escolar até o posto de saúde mais próximo.
O Ministério da Saúde recomenda que as escolas enviem comunicados aos pais com pelo menos uma semana de antecedência, informando as vacinas que serão aplicadas e solicitando a autorização. No dia da vacinação, a criança deve levar a caderneta de vacinação para que a equipe possa atualizá-la. Mesmo quem não tiver o documento poderá receber a dose.
Importância da retomada da vacinação
O Brasil já foi referência mundial em vacinação, com coberturas acima de 95% para a maioria das vacinas infantis. A queda observada a partir de 2015 está associada à desinformação, à hesitação vacinal e ao enfraquecimento dos programas de saúde pública. Doenças que estavam controladas, como o sarampo, voltaram a circular, provocando surtos e óbitos evitáveis.
Especialistas apontam que a vacinação em ambiente escolar é uma das estratégias mais eficazes para recuperar a confiança das famílias e ampliar a adesão. Ao levar a imunização para dentro da escola, reduz-se barreiras de acesso e aproveita-se a capilaridade da rede de ensino.
Como os pais podem participar
Os pais ou responsáveis devem ficar atentos aos comunicados enviados pela escola. O termo de consentimento é obrigatório e pode ser entregue preenchido no dia da vacinação. Também é recomendável que os pais levem a caderneta de vacinação dos filhos para que o profissional de saúde avalie o calendário e oriente sobre doses necessárias.
Toda a vacinação é gratuita e as vacinas aplicadas nas escolas são as mesmas disponíveis nas unidades básicas de saúde. Em caso de dúvidas, os pais podem procurar a unidade de saúde de referência ou ligar para o Disque Saúde (136).
Perguntas frequentes
Quem pode receber a vacina na escola?
Crianças e adolescentes com até 15 anos, matriculados em instituições de ensino públicas ou privadas. Crianças de creches também estão incluídas.
É obrigatório vacinar?
A vacinação é voluntária, mas o Ministério da Saúde recomenda fortemente que todas as crianças e adolescentes sejam vacinados de acordo com o calendário nacional. A vacinação é um direito e um dever coletivo para proteção de toda a comunidade.
Preciso levar a caderneta de vacinação?
Sim, é importante que a caderneta seja levada para que a equipe registre as doses aplicadas e avalie o histórico. Caso não tenha a caderneta, a escola ou a unidade de saúde poderá emitir uma segunda via.
Quais vacinas serão aplicadas na escola?
A oferta segue o calendário do PNI para a faixa etária. A escola divulgará previamente a lista. As vacinas incluem BCG, hepatite B, poliomielite, pentavalente, pneumocócica, meningocócica C, tríplice viral, HPV, DTP, febre amarela (em áreas de risco) e outras.
Como sei se meu filho já tomou todas as vacinas?
Além da caderneta, os pais podem consultar as informações no aplicativo Conecte SUS ou na unidade de saúde de referência.
A escola pode recusar a matrícula de crianças não vacinadas?
Não. A vacinação não é condição para matrícula, mas o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que os pais são responsáveis pela vacinação dos filhos. A campanha busca justamente oferecer a oportunidade para que todos estejam em dia.
A campanha "Saúde na Escola" representa um esforço conjunto para recolocar o Brasil no mapa da imunização infantil. Com a participação ativa de famílias, escolas e profissionais de saúde, a expectativa é que o país volte a ser exemplo mundial de vacinação, garantindo a proteção de milhões de crianças e adolescentes contra doenças evitáveis.