Angola investe no setor da energia

O governo de Angola implementou políticas para favorecer o investimento estrangeiro no setor da energia.

Angola ocupa um lugar de destaque no mercado global da energia. “Angola é uma das nossas maiores filiais desde que passámos a ter seis plataformas petrolíferas, seis grandes navios que produzem em profundidades de água entre 1500 e 2000 metros”, disse Olivier Jouny, diretor-geral da TotalEnergies Angola.

https://www.youtube.com/watch?v=3fS5N0cbNH8

Um investimento que podem ajudar o país a tornar-se no maior produtor de petróleo da África Austral, como prevê a Agência Internacional de Energia. “Temos a maior operação em águas profundas de todo o nosso grupo. A nossa relação é marcada por uma boa colaboração e temos sido capazes de progredir e tirar partido das oportunidades”, afirmou Melissa Bond, diretora-geral da ExxonMobil Angola.

“A visão da Somoil é tornar-se na principal empresa integrada de energia, não só em Angola como em África. As energias renováveis vão desempenhar um papel importante na nossa oferta. Em particular o setor solar. Angola tem uma das melhores exposições solares de África. Depois temos a energia hidroelétrica, porque temos muitos rios em Angola”, sublinhou Edson dos Santos, presidente da Somoil.

https://www.youtube.com/watch?v=cIyFOs-FAis

A aposta na agricultura

Os rios também ajudam a favorecer a agricultura. A adega de Vale do Bero, ao longo do rio Bero, nas terras férteis da província do Namibe, produz cerca de 80 mil garrafas por ano. O sucesso do projeto não provém apenas da riqueza dos recursos hídricos. Um clima propício permite ter duas colheitas por ano.

“É uma vantagem muito grande em relação à maioria dos países, porque a maioria dos países tem apenas uma produção anual”, sublinhou Paulo Múrias, proprietário do Vale do Bero.

“Temos as melhores condições do mundo para produzir morangos, com uma altitude de 2000 metros, um bom clima e um Inverno seco”, disse Yudo Borges da Sociedade Agrícola Amorosas de Huila, conhecido como o “rei dos morangos” em Angola.

Além de tirar partido do clima e da água, há empresas que apostam em produzir sem pesticidas e nem fertilizantes.

“Toda a fruta, quer seja a manga, ananás, ou pitaya, é mais saborosa quando é produzida segundo um sistema natural de produção”, frisou Aderito Costa, produtor de Pitaya e conhecido como o rei da Pitaya.

A cultura do café é outros dos setores agrícolas que está a ser revitalizado. A Fazenda Vissolela, na província do Kwanza Sul, aposta na exportação, com mil hectares de terra dedicados à produção de cafés especiais. “Temos cem hectares dedicados a cada variedade de café Arábica. E 80% desse café será exportado”, afirmou Guilherme Diniz, diretor-geral da Fazenda Vissolela.

Os agricultores de pequena escala também está em ação, no Café Cazengo na província do Kwanza Norte. “Temos cerca de 500 cultivadores de café a trabalhar connosco. É daí que todos os anos obtemos a matéria-prima”, contou Camila Paula, diretora comercial da Café Cazengo.

https://www.youtube.com/watch?v=Q2EQ9EynqIo

O desenvolvimento do “turismo da diáspora”

Outro setor em desenvolvimento em Angola é o chamado turismo da diáspora. Destina-se aos descendentes de angolanos vendidos como escravos pelos colonizadores portugueses, ao longo de séculos. O epicentro desse turismo é o Corredor do Rio Kwanza. Uma rota que começa em torno das cataratas de Calandula, no leste de Angola, até à costa atlântica.

“Ouvir essas ondas quebrarem-se, no período calmo do dia, lembra-me as vozes que desciam o rio: os gritos, a incredulidade, a escravização”, confessou o norte-americano Vincent Tucker, presidente da William Tucker 1624 Society.

Vincent Tucker ambiciona desenvolver o turismo da diáspora. Uma forma de honrar os seus antepassados que fizeram parte dos seis milhões de angolanos escravizados.

O baterista norte-americano de jazz Gregory Hutchinson visitou o Museu da Escravatura em Luanda.

“Para mim, foi fantástico vir aqui e ser iluminado. Desperta-nos, faz-vos ver que há muito mais para aprender. Para mim, é o início de uma viagem”, declarou Gregory Hutchinson.

Euronews

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