A polêmica tropa de elite da PM envolvida nas mortes no litoral de SP

Nos primeiros 06 meses de 2023, a Rota esteve envolvida em 23 mortes, enquanto no mesmo período de 2019, sem o uso de câmeras corporais, foram registradas 67 mortes em confrontos com suspeitos

Repórter Brasil – Criada nos anos 1970 para enfrentar ações de esquerda armada durante a ditadura militar, a Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) é hoje considerada a tropa de elite da Polícia Militar (PM) de São Paulo, contando com cerca de 800 integrantes conhecidos como “boinas pretas.” Porém, a Rota também carrega a reputação de ser a unidade mais letal da PM.

Diferente de outras áreas da PM, não há um concurso específico ou formação padronizada para ingressar na Rota. Soldados interessados em fazer parte dessa tropa de elite precisam construir laços de confiança com os membros já presentes no grupo e se adaptar ao seu método de trabalho.

O livro “Rota 66,” escrito por Caco Barcellos, oferece uma visão profunda sobre a história e a atuação da tropa de elite da PM de São Paulo. Inspirado por essa obra, podemos vislumbrar as origens e os desafios enfrentados por essa unidade policial. Segundo Caco Barcellos, em seu livro, os policiais da Rota constroem uma identidade que vai além do tempo em que servem na unidade, criando laços que duram a vida toda.

Após ser criada para combater o crime organizado, especialmente o tráfico de drogas, após o fim da ditadura, a Rota ganhou fama pela sua alta letalidade e por um policiamento diferenciado em relação aos demais batalhões da PM. Nos primeiros seis meses deste ano, a Rota esteve envolvida em 23 mortes, enquanto no mesmo período de 2019, sem o uso de câmeras corporais, foram registradas 67 mortes em confrontos com suspeitos.

Para ingressar na Rota, não há um curso específico ou treinamento. Interessados devem preencher uma ficha no 1º Batalhão de Choque da PM, local onde a Rota está sediada, e serem indicados por membros já presentes no grupo. Após passar por uma investigação sobre sua vida pessoal e atuação anterior no batalhão de origem, o candidato é aprovado e inicia um estágio. Durante esse período, ele atua em guarda no portão de armas, anotando quem entra e sai da unidade, até ser integrado definitivamente à tropa.

O trabalho da Rota é desafiador e exige maior engajamento e disposição dos policiais. A carga horária costuma ser mais extenuante e o armamento disponibilizado inclui fuzis e espingardas, além de pistolas. Os membros da Rota também são conhecidos por serem discretos, falar pouco e ter um gestual mais contido.

Apesar de receberem o mesmo salário que outros policiais da PM, membros da Rota podem ter benefícios “extra-oficiais” devido à sua reputação, como oportunidades de segurança privada mais rentáveis. No entanto, o trabalho como segurança privado é ilegal.

A Rota já esteve envolvida em ações extremamente violentas ao longo dos anos, e alguns especialistas apontam para resquícios dessa violência em sua cultura, incluindo práticas arbitrárias, violentas e até mesmo casos de tortura e morte. A adoção de câmeras corporais pelos policiais e uma análise mais rigorosa de governança são vistas como medidas importantes para controlar o comportamento da tropa.

Enquanto alguns elogiam a eficácia operacional da Rota, outros apontam a necessidade de garantir que os policiais atuem dentro da legalidade e com maturidade. A Rota permanece envolta em polêmica e sua atuação levanta questões sobre os limites da força policial em um cenário de crescentes demandas por uma abordagem mais cautelosa e respeitosa aos direitos humanos.

Deixe uma resposta