Economia

Governo prevê salário-mínimo de R$ 1.509 e crescimento de 2,64% do PIB em 2025; veja proposta

O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para 2025, enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional, estabelece as metas fiscais e os parâmetros econômicos para o próximo ano. Entre os destaques, está a previsão de um salário mínimo de R$ 1.509 e um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,64%. A proposta também define a meta de resultado primário e as regras para despesas obrigatórias e discricionárias.

O que diz a proposta

De acordo com o texto, o salário mínimo passará de R$ 1.412 (valor vigente em 2024) para R$ 1.509 a partir de 1º de janeiro de 2025. O reajuste segue a política de valorização do salário mínimo, que considera a inflação acumulada pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e o crescimento real do PIB de dois anos antes. A equipe econômica estimou que a combinação desses fatores resultará em um aumento nominal de aproximadamente 6,9%.

No caso do PIB, o governo projeta uma expansão de 2,64% para 2025, acima da mediana das projeções do mercado financeiro na época do envio da proposta. A expectativa oficial reflete a aposta em um ambiente de juros mais baixos, recuperação do consumo das famílias e avanço de investimentos, especialmente em infraestrutura e habitação. O documento também prevê inflação medida pelo IPCA em torno de 3,5% ao ano.

Impacto nas contas públicas

A proposta de salário mínimo de R$ 1.509 tem impacto direto nas despesas da União, uma vez que cerca de 70% dos benefícios da Previdência Social e outros programas sociais são atrelados ao piso nacional. O governo estima que cada real de aumento no salário mínimo representa um acréscimo de aproximadamente R$ 350 milhões nas despesas obrigatórias. Com o novo valor, o impacto total está calculado em cerca de R$ 35 bilhões adicionais em relação ao ano anterior.

Para cumprir o arcabouço fiscal, o PLDO estabelece uma meta de resultado primário de déficit zero para 2025, com margem de tolerância de 0,25% do PIB. O cumprimento dessa meta dependerá da aprovação de medidas de aumento de receita e contenção de gastos já em discussão no Congresso.

Reações e próximos passos

A proposta do governo foi recebida com cautela por especialistas em contas públicas. Para alguns analistas, a projeção de crescimento de 2,64% é otimista diante do cenário internacional de juros elevados e desaceleração da economia global. Outros apontam que a inflação estimada pode ficar abaixo do esperado, o que forçaria o governo a revisar os parâmetros ao longo do ano.

O texto do PLDO ainda precisa ser votado pelo Congresso Nacional até o final do primeiro semestre de 2025. Parlamentares podem modificar as metas e as estimativas. A Lei Orçamentária Anual (LOA), que detalha receitas e despesas, será enviada posteriormente e também dependerá de aprovação legislativa.

Histórico de valorização do salário mínimo

Desde 2011, o Brasil adota uma regra permanente de correção do salário mínimo, combinando inflação e crescimento do PIB. A política foi interrompida entre 2020 e 2022, mas foi retomada em 2023. A atual gestão tem defendido a manutenção da política como forma de preservar o poder de compra dos trabalhadores e reduzir a desigualdade.

Com o novo valor proposto, o salário mínimo nominal acumularia alta de cerca de 80% desde 2011, enquanto a inflação do período foi de aproximadamente 70%, garantindo ganho real aos trabalhadores.

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