Um pediatra foi acusado de estuprar seis crianças em uma cidade da região metropolitana de São Paulo. Em depoimento à polícia, ele teria dito: "Não vou ficar preso". A frase foi registrada em áudio pelos investigadores e anexada ao inquérito como um dos elementos que reforçam as suspeitas contra o médico.
De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil, os abusos teriam ocorrido durante consultas no consultório particular do profissional. As vítimas, com idades entre 4 e 11 anos, eram atendidas com suspeita de doenças comuns da infância. Os pais começaram a desconfiar após perceberem mudanças drásticas de comportamento nas crianças, como medo excessivo de ir ao médico, alterações de humor, crises de choro sem motivo aparente e dificuldade para dormir. Após conversarem entre si, algumas famílias descobriram que os relatos das crianças tinham semelhanças e decidiram registrar a denúncia em conjunto na delegacia especializada.
"Não vou ficar preso"
A frase dita pelo pediatra durante depoimento tornou-se uma das peças centrais do inquérito. A Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão na residência e no consultório do médico, expedido pela Justiça. Foram apreendidos computadores, celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos, que passarão por perícia técnica para identificar possíveis registros de novos abusos ou compartilhamento de material ilícito.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) também abriu sindicância para apurar a conduta profissional do pediatra. O processo ético-disciplinar pode resultar em advertência, suspensão temporária ou até cassação definitiva do registro médico, caso seja comprovada a participação nos crimes. Enquanto a investigação tramita, o médico pode responder com restrições ao exercício profissional.
A defesa do pediatra alega que as acusações são infundadas e que há equívoco na identificação por parte das vítimas. Em entrevista, o advogado afirmou que o cliente confia na Justiça e que as provas técnicas demonstrarão sua inocência. A defesa também solicitou a produção de provas periciais independentes para contrapor os elementos colhidos pela acusação.
A Justiça ainda não decidiu sobre o pedido de prisão preventiva, que foi solicitado pelo Ministério Público. A promotoria argumenta que o médico representa risco às investigações e à sociedade. Nos próximos dias, o juiz responsável pelo caso deve analisar os autos e decidir sobre a medida. O caso gerou grande repercussão na região, principalmente por se tratar de um profissional da saúde que cuidava de crianças e gozava da confiança das famílias.
A reportagem continuará acompanhando o desenrolar do processo e as próximas fases da investigação.