O Vietnã aprovou oficialmente a abertura de seu mercado para a carne bovina in natura do Brasil. O anúncio, feito pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), foi recebido com otimismo pelo setor produtivo nacional, que enxerga no país asiático um destino estratégico para diversificar as exportações da proteína animal, reduzindo a dependência de mercados tradicionais como a China.
O acordo, construído ao longo de sucessivas rodadas de negociação técnica e diplomática, elimina barreiras sanitárias que impediam o embarque do produto brasileiro. O Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, agora poderá acessar uma das economias que mais crescem no Sudeste Asiático, com uma população superior a 100 milhões de habitantes e uma classe média em franca expansão.
Negociações se arrastavam desde o governo anterior
As tratativas para a abertura do mercado vietnamita começaram formalmente em 2018, mas esbarraram em exigências sanitárias específicas e na burocracia bilateral. Nos últimos meses, a equipe técnica do Mapa intensificou os esforços para atender aos requisitos do Departamento de Sanidade Animal do Vietnã, culminando na aprovação do Certificado Sanitário Internacional (CSI) que permitirá o início das exportações.
O governo brasileiro celebrou a decisão como um marco para a política de comércio exterior do agronegócio, que tem como meta abrir dezenas de novos mercados para produtos nacionais até o final do ano.
Um mercado de US$ 500 milhões
O Vietnã importa atualmente grandes volumes de carne bovina de países como Índia, Estados Unidos e Austrália. Com a entrada do Brasil, a expectativa é de que as exportações para o país possam alcançar a cifra de US$ 500 milhões anuais já no primeiro ano de vigência do acordo, podendo crescer progressivamente.
“O mercado vietnamita é extremamente promissor. O país tem uma população jovem, renda crescente e uma cultura alimentar que valoriza a proteína animal. A carne brasileira é reconhecida mundialmente pela qualidade e pelo preço competitivo”, avaliou o setor.
Impacto no agronegócio brasileiro
A abertura de mercado beneficia diretamente a cadeia produtiva da carne, desde o pecuarista nos pastos até os grandes frigoríficos exportadores. Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais, líderes na produção de carne bovina, devem ser os principais contemplados com o aumento da demanda internacional.
“Essa é uma excelente notícia para o Brasil. A diversificação de destinos é fundamental para a estabilidade de preços e para o escoamento da produção, garantindo emprego e renda no campo e nas cidades”, afirmou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Sanidade e rastreabilidade como trunfo
Para atender aos rigorosos protocolos sanitários vietnamitas, o Brasil apresentou um plano de certificação eletrônica que garante a rastreabilidade completa da carne, da fazenda ao prato. O sistema brasileiro de defesa sanitária animal, já validado por mercados como a União Europeia e o Japão, foi um dos fatores decisivos para a aprovação do acordo.
Os frigoríficos brasileiros interessados em exportar para o Vietnã precisarão se habilitar no sistema de certificação específico, o que deve ocorrer nas próximas semanas.
Perspectivas futuras
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) projeta que as primeiras remessas de carne bovina in natura ao Vietnã sejam embarcadas ainda no segundo semestre deste ano. O acordo representa um novo e importante corredor comercial de longo prazo no coração da Ásia, consolidando a posição do Brasil como principal player global do setor.
O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla do governo federal e da iniciativa privada para ampliar a presença do agronegócio brasileiro nos mercados asiáticos, que já inclui acordos recentes com a China, Egito e Arábia Saudita.
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