China acelera compra de soja brasileira temendo "efeito Trump" e eleva preços nos portos e nas sedes das esmagadoras

A China, maior importadora mundial de soja, está acelerando suas compras do grão brasileiro nas últimas semanas. O movimento é uma resposta direta ao temor de que uma vitória de Donald Trump nas próximas eleições presidenciais dos Estados Unidos possa reacender a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, afetando o fornecimento americano de soja.

Com medo do chamado "efeito Trump", os chineses buscam garantir o suprimento do grão com antecedência, evitando possíveis sobretaxas que tornariam a soja americana mais cara e menos competitiva no mercado asiático.

Impacto nos portos brasileiros

A corrida chinesa está tendo um impacto direto nos preços da soja brasileira. Nos portos do país, o prêmio pago pela soja para exportação subiu significativamente. Traders e exportadores relatam um aumento no volume de negociações, com navios sendo contratados para enviar o grão para a Ásia nos próximos meses. O Porto de Santos, principal hub de exportação do Brasil, deve registrar um movimento ainda mais intenso.

Efeito nas esmagadoras

Nas sedes das esmagadoras, a situação é de alerta e otimismo. De um lado, o preço mais alto da matéria-prima (a soja em grão) eleva os custos de produção do farelo e do óleo de soja. Por outro lado, a forte demanda internacional e a escassez de oferta global permitem que as indústrias repassem os custos para o mercado interno e externo. As margens de esmagamento, que medem a rentabilidade do processamento da soja, seguem aquecidas.

“A movimentação da China é uma proteção contra um cenário geopolítico incerto. O Brasil se consolida como o grande celeiro do mundo e tende a se beneficiar diretamente desse movimento estratégico”, avaliam especialistas do setor.

Perspectivas

Analistas do setor avaliam que o movimento de compras deve continuar nas próximas semanas, mantendo os preços elevados nos portos e nas praças das esmagadoras. Se a guerra comercial se intensificar, o Brasil poderá se beneficiar ainda mais, tornando-se o fornecedor preferencial da China por um período prolongado, o que impacta diretamente a balança comercial e o agronegócio nacional.