Office boy assinou contratos de R$ 39 milhões; Empresário e pastor evangélico também envolvidos no escândalo de corrupção
Repórter Brasil – Um caso surpreendente veio à tona envolvendo a empresa terceirizada SV Apoio Logístico, que possui contratos com o governo do Rio Grande do Sul e a Prefeitura de Porto Alegre, sob a liderança de Eduardo Leite (PSDB) e Sebastião Melo (MDB). No entanto, o que chama a atenção é o fato de um office boy chamado Antonio Garcia ser o sócio-administrador da empresa responsável por assinar contratos no valor de R$ 39 milhões. O endereço residencial de Garcia, registrado no contrato social da SV, fica em uma casa modesta na periferia de Viamão (RS). Essa revelação foi publicada pelo jornal Matinal. A SV foi contratada pelos governos para fornecer serviços de portaria, limpeza e manutenção de locais como secretarias, polícias, escolas e fundações.
O office boy afirmou ser sócio da SV e trabalhar na terceirizada juntamente com Carlos Serba Varreira, empresário e pastor evangélico. Varreira é ex-secretário geral do partido Solidariedade no Rio Grande do Sul e ex-vereador de Butiá (RS), cidade localizada a 84 quilômetros da capital Porto Alegre. Em maio de 2020, Varreira foi preso pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Camilo, que investigava fraudes e desvios de dinheiro em um hospital em Rio Pardo (RS). Na ocasião, ele tentou fugir e jogou R$ 82 mil em espécie em uma lata de lixo.
Varreira foi posteriormente solto por meio de um habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e atualmente responde em liberdade ao processo criminal. Ele não se pronunciou sobre se ainda está envolvido com a rede apontada pela força-tarefa ou com a SV. Varreira declarou: “Não tenho nenhum esclarecimento a prestar, apenas afirmo que é muito triste ver essa iniciativa de publicar fatos passados, que já foram objeto de notícia”.
Segundo a denúncia feita em 2020 pela Polícia Federal, Varreira estaria operando uma rede de empresas terceirizadas em parceria com o advogado Renato Walter, ex-assessor da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. De acordo com a PF, Walter teria trabalhado no setor de “gestão e contratos” do governo de transição de Eduardo Leite em 2018, por indicação do Solidariedade. Walter também foi temporariamente preso durante a Operação Camilo.
A PF destacou que a empresa SV tem sido uma fonte significativa de recursos para Varreira, ocupando o cargo de diretor operacional e recebendo uma remuneração aproximadamente 10 vezes maior do que o suposto sócio-proprietário Marcos Pacheco. Segundo os trechos da quebra de sigilo fiscal da operação, Renato Walter mantém um contrato supostamente relacionado à prestação de serviços jurídicos, recebendo mensalmente um valor mais de 20 vezes superior ao “pró-labore” de Pacheco. Esses pagamentos teriam totalizado mais de R$ 670 mil em 24 meses.
Walter afirmou que as acusações contra ele estão sendo tratadas em uma ação judicial e que dará explicações no processo, mas não para a imprensa.
O governo estadual, por meio da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), afirmou que possui atualmente dois contratos de prestação de serviços com a empresa SV Apoio Logístico para atender à rede Tudo Fácil. A SPGG destacou que as contratações foram realizadas dentro da legalidade, seguindo um processo licitatório no qual a empresa apresentou toda a documentação exigida por lei. Além disso, a SPGG afirmou que, após a celebração dos contratos, a gestão é conduzida de acordo com os preceitos legais e normativos, com fiscalização regular da contratada. Caso sejam identificadas irregularidades ou condutas ilegais, as medidas apropriadas serão tomadas.
A SPGG também confirmou que, após ser informada das descobertas da Operação Camilo, abriu um procedimento em 2020 para investigar se Antonio Claudino era um laranja atuando na SLP. Atualmente, esse processo administrativo está arquivado, aguardando o desfecho da denúncia apresentada ao Ministério Público para que as medidas sancionatórias contra a empresa SLP sejam tomadas.
A Prefeitura de Porto Alegre declarou que as contratações da SLP durante a gestão de Sebastião Melo foram realizadas “em respeito ao resultado da licitação” e levaram em consideração o fato de a administração ter reavaliado o ato administrativo que impedia a empresa de contratar com o município, devido à falta de provas contra a empresa. Esse fato resultou no arquivamento da cautelar posteriormente.
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