“Finalmente teremos a Funai presidida por uma mulher indígena, dentro da estrutura do Ministério dos Povos Indígenas”, anunciou o presidente diplomado Lula
Repórter Brasil – O presidente diplomado Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (30) o nome da deputada Joenia Wapichana para a presidência da Fundação Nacionaldo índio (Funai).
“Pela primeira vez, finalmente teremos a Funai presidida por uma mulher indígena, dentro da estrutura do Ministério dos Povos Indígenas. Novos tempos para o Brasil”, celebrou o presidente Lula.
Estive com @JoeniaWapichana, que assumirá a presidência da Funai em nosso governo. Pela primeira vez, finalmente teremos a Funai presidida por uma mulher indígena, dentro da estrutura do Ministério dos Povos Indígenas. Novos tempos para o Brasil!
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— Lula (@LulaOficial) December 30, 2022
Nas eleições de 2018 foi eleita deputada federal por Roraima com 8.491 votos, sendo a primeira mulher indígena a ser eleita para o cargo. Nas eleições de 2022 recebeu 11.221 votos, mas não alcançou a vaga devido ao quociente eleitoral.
Quem é Joênia Wapichana?
Com informações do Wikipédia – Joênia Batista de Carvalho, mais conhecida como Joênia Wapichana, nasceu em Boa Vista em, 20 de abril de 1974, é uma advogada, sendo primeira mulher indígena a exercer a profissão no Brasil, e política brasileira filiada à Rede Sustentabilidade (REDE). Joênia é a primeira mulher indígena a ser eleita deputada federal, representando Roraima, durante as eleições de 2018. Antes dela, o único indígena eleito ao Parlamento foi o xavante Mário Juruna.
Nasceu na comunidade indígena Cabeceira do Truarú, localizada na etnoregião Murupú e na zona rural do Município de Boa Vista. É de etnia Wapixana (um grupo étnico aruaque) e aos 8 anos de idade, deixou a comunidade onde nasceu e mudou-se com a mãe para a sede municipal (área urbana) de Boa Vista. Falante nativa da língua uapixana, aprendeu o português e começou a se interessar pelos estudos na capital roraimense. Depois de concluir o ensino médio, passou a trabalhar em um escritório de contabilidade durante o dia, enquanto cursava direito à noite. Formou-se em 1997 pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, cursou mestrado.
Atuou na demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, além de trabalhar no departamento jurídico do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e na defesa de direitos de índios à posse de suas terras na Região Norte do Brasil.
Foi a primeira presidente da Comissão de Direitos dos Povos indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), criada em 2013.
Nas eleições de 2018, foi eleita à Câmara dos Deputados por Roraima, pela Rede Sustentabilidade. Crítica contumaz do governo de Jair Bolsonaro, apresentou pedido de impeachment contra o presidente em 1 de fevereiro de 2021; alegando crimes contra a população indígena. O requerimento da deputada – a única representante indígena do Congresso Nacional do Brasil na atual legislatura – foi o 66º pedido aberto contra o chefe do Executivo desde o início do seu mandato, em 2019. Em anúncio feito pela deputada em coletiva no Congresso Nacional, este pedido foi apresentado conjuntamente, também, por outros membros do partido Rede Sustentabilidade (Rede) como o senador Randolfe Rodrigues, e os deputados federais oposicionistas ao governo federal como Erika Kokay, David Miranda e Alessandro Molon.
Ainda no ano de 2021, Joênia Wapichana, em audiência promovida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), criticou o governo federal e a “Nova Funai”, questionando a afirmação de que a nova entidade é ouvinte dos povos indígenas e defensora do meio ambiente, divulgada pelo general Augusto Heleno, membro do governo de Bolsonaro. Joênia afirmou que a “Nova Funai” deixou de cumprir sua tarefa mais importante: a demarcação de terras indígenas. Também reclamou da omissão diante do avanço do garimpo ilegal na Amazônia: “A situação é muito preocupante. E a Funai só atende o lado que está de acordo com as ideias do governo”, acusou.
Prêmios
Recebeu, em 2004, o Prêmio Reebok pela sua atuação na defesa dos direitos humanos. Em 2010, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura. Recebeu o Prêmio de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2018.